O céu estava muito azul, com poucas nuvens. O chão era gramado, um gramado plano e meio úmido, talvez pelo sereno da noite anterior. Estava se manhã e alguns metros na minha frente havia uma trilha. Entrei na trilha, aos poucos a mata ia ficando mais densa. Tive que pular um tronco de árvore caído que estava no meio do caminho e avistei uma clareira.
Quando cheguei na clareira percebi que as árvores a sua volta formavam um círculo perfeito. Nessa clareira não tinha muita grama, mas sim terra e galhos caídos no chão. Parei na entrada e em minha frente vi outra trilha. Poucos segundos após minha chegada ouvi barulhos vindos da trilha que estava na minha frente. Eis que surge uma figura muito alta e um pouco grotesca. Com o corpo escuro, os olhos meio puxados e orelhas caídas parecia um fauno. Era meu crítico interior. Perguntei a ele porque ele era tão grande, maior do que eu, e ele me disse apenas; “porque você permitiu”. Disse a ele que ele deveria tirar umas férias.
Uma semana. Uma semana bastava para que eu vivesse minha vida sem aquele monstro dentro de mim. Eu estava ansiosa para saber como seriam as coisas sem a presença dele. Combinamos que no próximo domingo nos encontraríamos no mesmo local e ele se virou e foi embora pela mesma trilha da qual viera.
Virei-me e voltei pela trilha da qual eu havia vindo. Tive que pular novamente o tronco de árvore caído e continuei andando. Saí por onde eu havia entrado e vi aquele gramado imenso novamente. Sentei-me no chão, no meio do gramado e percebi que existiam muitas trilhas à minha volta. Imaginei para onde elas me levariam. Fiquei sentada com os olhos fechados, sentindo a brisa e imaginando quantos críticos interiores estariam perdidos nas montanhas que me cercavam.
B.
22/06/2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
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