terça-feira, 22 de julho de 2008

We Could Be Heroes

We are.

Abruguzumba!

Eu estou febril porque tenho coisas demais a dizer e pouca coerência pra organizar tudo. Na verdade eu tenho uma briga na cabeça. Metade diz, mantenha o plano... que era vir aqui e escrever sobre minhas aventuras solitárias numa escola pública. Metade de mim diz... Foda-se diga a eles o que eles precisam ouvir. Vou fazer os dois porque eu tenho tempo. Quanto ao que precisam ouvir, àquilo que o post do Nilton me inspirou a dizer... É mais ou menos o seguinte: Eu não sei qual é o problema. É lógico que eu quero saber. Porque eu me importo. Mas não me preocupo se é o fim. Nosso fim está longe de ser enquanto cantar em nossos corações esse desejo de mudança, esse poder da palavra. Ele está aqui conosco e não vai se calar. Esse dom e esse desejo são nossas missões e nossos legados. Meu pai me perguntou o que eu ia deixar construído quando eu me fosse. O que eu fiz de importante? E eu disse a ele: "Eu fiz teatro. Eu usei o teatro pra dizer ao mundo o que precisa ser mudado. Eu avisei a todos o que está acontecendo." Essa é nossa missão. É pra isso que viemos e é por isso que não é o fim. Quando começamos isso, nós descobrimos que poucos além de nós se importam e menos ainda têm coragem de erguer a voz como nós. Depois que acabamos e recomeçamos vimos que ainda somos poucos e não desistimos. Precisam de nós como nós deles. Eles o mundo. Precisam de nós pra acordar e nós deles pra realmente realizar a mudança. Podemos ser os agentes da mudança, mas somos só o início.

Sobre as minhas andanças solitárias, quando estive longe do grupo, minha mãe que dá aulas de artes em escolas públicas me convidou a contar a história da Michiko mais uma vez. Eu não podia dizer não. Eu não podia esquecer. Eu sempre me senti como se fosse um compromisso de vida que eu fiz com aquela senhorinha. Ela me contou tudo aquilo de peito aberto mesmo sendo o pior momento de sua vida. Mesmo que fosse um inferno reviver aquilo tudo. Mas ela fazia aquilo pra que nunca fosse esquecido e para que nunca se repetisse. Eu sempre me senti no dever de contar. E aquela era uma chance. Como sempre fazemos pedi informações sobre a platéia pesquisei sobre a situação atual do mundo. Atualizei meu momento. Aquelas crianças estavam estudando a Segunda Guerra Mundial. Meu foco ali era mostrar a elas o que começa esse tipo de conflito. Ensaiei sozinha. Lembrei-me de como cantar a Rosa de Hiroshima sem chorar. Quando cheguei lá, me aqueci. Me preparei e lhes contei. Lhes contei a história de uma menina de quinze anos que teve a vida arruinada por causa da guerra, contei-lhes a história de uma cidade destruída por essa mesma guerra e que mesmo assim existia gente querendo construir mais bombas assim como aquelas ao invés de destruí-las. Dei-lhes o exemplo do Ditador Norte-Coreano, mas se fosse hoje falaria da guerra hindu-paquistanesa que já dura quase tanto tempo quanto a guerra Islam-Israel com a diferença que tem menos espaço na mídia porque os povos envolvidos tem menos dinheiro. Falei-lhes no final sobre uma campanha chama Free Hugs de um homem chamado Juan Mann. E de como os abraços gratuítos e sem segundas intenções podem mudar o mundo. Em como um pouco de compreenção, carinho, tolerância religiosa, respeito étnico e outras coisas simples como estas podem evitar Guerras como a segunda guerra mundial. E eu pude ver que basta você pedir boa vontade e dar o exemplo. Eu disse a eles. Vire para a primeira pessoa ao seu lado e dê um abraço nela. Não importa quem seja. Que seja um abraço gratuíto. Sem cobranças e sem pesos sociais, raciais, religiosos ou etnicos. Apenas um abraço. Acharam que eu estava brincando. Até eu ir até a platéia e abraçar uma criança qualquer da primeira fila. TODOS se abraçaram. Desde a professora até a fila de crianças que queriam ME abraçar além de abraçarem seus colegas. E eu as abracei a todas. Mesmo atrasando as outras apresentações. Eu me apresentei 5 vezes naquele dia. Uma seguida da outra. TODAS foram especiais. Eu não me importei depois se me roubaram a minha bolsa, meu celular, algumas bijouterias que estavam na minha bolsa... Se esse fosse o preço pela apresentação, perderia tudo de novo.

Pois eu só ganhei naquele dia.

L.

2 comentários:

3rd World Dude disse...

zabrigrujuntaaaaaaaaaaa!
porra livia...eu precisava ler esse post hoje!!!
valeu!!!!
muito verdade.
mito verdade.
bjo!
niltão

Anônimo disse...

vcs naum vaum mais postar? to com saudades de suas postagens, mesmo que eu naum entenda direito do que estaum falando, mas saum mto boas...