terça-feira, 22 de julho de 2008
We Could Be Heroes
Abruguzumba!
Eu estou febril porque tenho coisas demais a dizer e pouca coerência pra organizar tudo. Na verdade eu tenho uma briga na cabeça. Metade diz, mantenha o plano... que era vir aqui e escrever sobre minhas aventuras solitárias numa escola pública. Metade de mim diz... Foda-se diga a eles o que eles precisam ouvir. Vou fazer os dois porque eu tenho tempo. Quanto ao que precisam ouvir, àquilo que o post do Nilton me inspirou a dizer... É mais ou menos o seguinte: Eu não sei qual é o problema. É lógico que eu quero saber. Porque eu me importo. Mas não me preocupo se é o fim. Nosso fim está longe de ser enquanto cantar em nossos corações esse desejo de mudança, esse poder da palavra. Ele está aqui conosco e não vai se calar. Esse dom e esse desejo são nossas missões e nossos legados. Meu pai me perguntou o que eu ia deixar construído quando eu me fosse. O que eu fiz de importante? E eu disse a ele: "Eu fiz teatro. Eu usei o teatro pra dizer ao mundo o que precisa ser mudado. Eu avisei a todos o que está acontecendo." Essa é nossa missão. É pra isso que viemos e é por isso que não é o fim. Quando começamos isso, nós descobrimos que poucos além de nós se importam e menos ainda têm coragem de erguer a voz como nós. Depois que acabamos e recomeçamos vimos que ainda somos poucos e não desistimos. Precisam de nós como nós deles. Eles o mundo. Precisam de nós pra acordar e nós deles pra realmente realizar a mudança. Podemos ser os agentes da mudança, mas somos só o início.
Sobre as minhas andanças solitárias, quando estive longe do grupo, minha mãe que dá aulas de artes em escolas públicas me convidou a contar a história da Michiko mais uma vez. Eu não podia dizer não. Eu não podia esquecer. Eu sempre me senti como se fosse um compromisso de vida que eu fiz com aquela senhorinha. Ela me contou tudo aquilo de peito aberto mesmo sendo o pior momento de sua vida. Mesmo que fosse um inferno reviver aquilo tudo. Mas ela fazia aquilo pra que nunca fosse esquecido e para que nunca se repetisse. Eu sempre me senti no dever de contar. E aquela era uma chance. Como sempre fazemos pedi informações sobre a platéia pesquisei sobre a situação atual do mundo. Atualizei meu momento. Aquelas crianças estavam estudando a Segunda Guerra Mundial. Meu foco ali era mostrar a elas o que começa esse tipo de conflito. Ensaiei sozinha. Lembrei-me de como cantar a Rosa de Hiroshima sem chorar. Quando cheguei lá, me aqueci. Me preparei e lhes contei. Lhes contei a história de uma menina de quinze anos que teve a vida arruinada por causa da guerra, contei-lhes a história de uma cidade destruída por essa mesma guerra e que mesmo assim existia gente querendo construir mais bombas assim como aquelas ao invés de destruí-las. Dei-lhes o exemplo do Ditador Norte-Coreano, mas se fosse hoje falaria da guerra hindu-paquistanesa que já dura quase tanto tempo quanto a guerra Islam-Israel com a diferença que tem menos espaço na mídia porque os povos envolvidos tem menos dinheiro. Falei-lhes no final sobre uma campanha chama Free Hugs de um homem chamado Juan Mann. E de como os abraços gratuítos e sem segundas intenções podem mudar o mundo. Em como um pouco de compreenção, carinho, tolerância religiosa, respeito étnico e outras coisas simples como estas podem evitar Guerras como a segunda guerra mundial. E eu pude ver que basta você pedir boa vontade e dar o exemplo. Eu disse a eles. Vire para a primeira pessoa ao seu lado e dê um abraço nela. Não importa quem seja. Que seja um abraço gratuíto. Sem cobranças e sem pesos sociais, raciais, religiosos ou etnicos. Apenas um abraço. Acharam que eu estava brincando. Até eu ir até a platéia e abraçar uma criança qualquer da primeira fila. TODOS se abraçaram. Desde a professora até a fila de crianças que queriam ME abraçar além de abraçarem seus colegas. E eu as abracei a todas. Mesmo atrasando as outras apresentações. Eu me apresentei 5 vezes naquele dia. Uma seguida da outra. TODAS foram especiais. Eu não me importei depois se me roubaram a minha bolsa, meu celular, algumas bijouterias que estavam na minha bolsa... Se esse fosse o preço pela apresentação, perderia tudo de novo.
Pois eu só ganhei naquele dia.
L.
sábado, 19 de julho de 2008
Tinta Mágica
oi behooools, oi lívia, oi bella, oi thaísa.
ô, só queria q vcs soubessem que não devem se preocupar tanto com como as coisas deveriam ser....coisas são coisinhas ou coisões, ou coisos. são coisinhas pra nós, pra vcs...ah!
pq de uma forma ou de outra, vcs sempre foram campeãs, mesmo não precisando participar de torneios e blábláblá. pq eu vi a força nos seus olhos, manja. no palco. sozinhas. encarando o mundo. eu era o cara no canto. eu vi.
ah, vcs foram campeãs pra tanta gente q eu conheci. dentro do grupo e fora dele.
sabe esses coisões, esses coisúntrucos, esses coisunfrúpilos que roubam a forma da vida, e nos assustam de vez em vez? ah, eles tb tem o palco deles. e como a gente ficava morrendo de medo por dentro, mas acabava subindo no palco e suando, eles também. lembrem-se disso. fiquem espertas com esses coisões. eles usam máscaras. seu talento é mentir bem.
lembram dos desenhos das crianças do artur segurado? então. coisinhas. na verdade, tudo são coisinhas ao nosso redor. desenhos coloridos. dá pra apagar, começar de novo. a tinta saí com água. água nos olhos.
ô, telas pintadas de pingüins saltitantes!, olhem pra estrelas e pintem elas de alguma cor, vai! achem aqueles lápis de cor. aqueles lá. isso. eles mesmos. é. pintem uma de rosa. e outra de azul. e outra com bolinhas. se não fiacr bom, deixa, tem tantas. pega outra página.
e assim passa a vida.
acho que alguém que não lembro mais pq nunca vi me disse um dia que viver é isso. vou ver se acho esse desenho em algum lugar no futuro.
melhor do que vcs se conhecem, os desenhos dizem mais.
a tinta é mágica.
Beijos.
N.
domingo, 13 de julho de 2008
Angústias e Ironias
Revirando um caderno antigo encontrei umas páginas que realmente estavam perdidas. Foram escritas há quase um ano, mas depois da conversa que tivemos hoje, tive vontade de compartilha-las. Eu escrevi daquele jeito, "sem parar", mas também sem saber que o "sem parar" era uma técnica que realmente existia. Para mim, naquela época, escrever sem parar era apenas uma maneira de extravazar e tirar de dentro de mim um pouco da angústia que crescia cada dia mais.
São dois textos. O primeiro escrevi no dia 26 de agosto de 2007, e o segundo no dia 03 de outubro do mesmo ano.
Angústias
"Eu estava pensando sobre minha vida...Camping, meus amigos, teen art, e tudo quilo que deixei para trás. Estou tão cansada de tudo...Não passo um dia sequer sem desejar voltar no tempo para poder viver todas aquelas coisas novamente. Naqueles dias, eu era uma pessoa tão cheia de esperanças e tão sensível que eu realmente acreditava que eu podia ser diferente, que era capaz de não "cair no sistema".
Hoje vejo que sou igual a todos, que não tenho mais a esperança e os sonhos que me faziam tão feliz no passado. Infelizmente eu caí no sistema e agora odeio a pessoa que me tornei. Tão conformada e apática.
Eu daria tudo para ter de volta meu antigo eu. Época na qual uma roda com os amigos rendia conversas muito profundas, e a vontade de não ser apenas mais um na multidão, contribuindo para que o mundo ficasse cada vez mais podre, era comum a todos.
É, meus amigos teenartianos me fazem uma falta que eles nem imaginam. Acho que o tempo nos levou a esperança e a crença de que nossa vontade de mudar as coisas e de fazer a diferença nos eram suficientes para que nossos objetivos fossem alcançados.
Hoje me vejo presa em uma vidinha comum, fazendo uma faculdade comum, rumo a um destino comum, e me pergunto se ser comum é suficiente para mim. Com certeza fazendo teatro e levando esperança e felicidade para as pessoas, assim como fiz tantas vezes em lugares como o boldrini e o Lar dos Velhinhos, eu seria muito mais realizada e a minha existência nesse lugar teria muito mais sentido, não seria em vão.
Mas como reencontrar uma parte de mim que a cada dia se perde mais e mais?
A culpa é só minha...Me deixei levar por esse sistema - maldito sistema! - e hoje não consigo mais me encontrar. Tenho certeza que se em 2005, quando abandonei minha maior paixão, eu tivesse lutado para ser mais forte e assim conseguir manter minha prioridade, nosso grupo jamais teria se acabado e hoje essa angústia não teria lugar dentro de mim.
B.
26/08/2007."
Ironias
"Esperanças e lembranças são o combustível de minha alma. Ou pelo menos eram. Com o passar do tempo as lembranças foram tomando o lugar da esperança que hoje já quase desapareceu. Tornou-se uma pequena parte de mim e deveria chamar-se ilusão. A esperança traz consigo um brilho no olhar, uma alegria e uma força de vontade para lutar e alcançar. A ilusão é apenas ilusão. É um engano. Dificilmente se conquista.
Lembro-me da saudosa época na qual se faziam planos e mais planos para responder à pergunta "o que vou ser quando crescer?". O tempo passou e o futuro foi traçado. Por mais irônico que possa parecer, a vida que eu terei, da qual muitas vezes me queixo, foi uma escolha minha. Unica e exclusivamente minha.
Tantas vezes, ao fazer besteiras, me perguntei "onde eu estava com a cabeça?", mas com certeza, o destino que escolhi para mim é mais digno dessa pergunta do que qualquer outra coisa que até hoje fiz em minha vida. Inúmeras vezes tentei gostar, tentei fazer de minha atividade a melhor do mundo, mas as tentativas fracassaram.
Cada dia me decepciono mais com a pessoa que estou me tornando. Olho para trás e sinto que a pessoa que eu era - sensível, sonhadora e otimista - não se orgulha da pessoa que hoje sou - indiferente, acomodada e desiludida. Isso faz com que, mais do que nunca, eu viva ao menos metade do meu dia de lembranças. Lembro-me tanto da minha felicidade ao sonhar com o meu futuro, lembro-me das pessoas que eu tinha ao meu lado e sinto um aperto no peito indescritível. Espero que um dia eu encontre em mim a Behold que se perdeu.
Penso ser injusto o rumo que minha vida tomou e gostaria muito de voltar no tempo, mas não posso. Sendo assim, gostaria então de me conformar com a situação e me concentrar para aproveitar ao máximo a oportunidade que estou tendo e que muitos não têm, a de fazer uma faculdade. Reconheço que sou privilegiada e confesso me sentir culpada por não dar o valor que esse caminho que eu chamo de errado tem e merece.
Quem diria que uma garota que na escola parecia ter um futuro promissor iria se tornar uma pessoa tão confusa e insatisfeita? Isso tudo parece uma grando ironia.
B.
03/10/2007."
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Vamos Ouvir de Novo a Nossa Voz
Desde que recomeçamos já reescrevi minha cena duas vezes. Tenho sonhado, mais do que lembro ter feito em toda minha vida. Tenho trabalhado mais. Tenho planejado mais. Conheci minha crítica interior (que é uma perua). Conheci minha sábia interior ( que é uma fada). Tenho uma cena nova cozinhando na cabeça. Lendas que saltam por minha boca em forma de refências. As músicas ronronam em meus ouvidos como conselhos de Bastet. Minhas heroínas reais de carne e osso ressurgem com notícias. Algumas boas, como a liderdade de Ingrid Bettancourt, outras nem tanto, como o câncer de Michiko Yamaoka.
Tudo que quero é que eu jamais volte a me calar... A mudez me deixa louca e inútil. Não vamos desistir até mudar. Vamos sacudir os alicerces do mundo. Atlas vai dançar a nossa música. Só nós podemos revolucionar o MUNDO, e vamos.
A Caixa de Pandora está aberta.
L.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Meu Lugar
Então avistei uma clareira. Nela havia um portão muito grande, alto demais. Aproximei-me e percebi que seu guardião era o Valmir. O mesmo Valmir da Defensoria. Quando cheguei ele me cumprimentou. Usando o mesmo óculos e com o mesmo olhar amigável de sempre ele abriu o portão para mim.
Entrei em um jardim maravilhoso. Ele tinha muitas flores coloridas e árvores em volta. Senti muitos cheiros bons e vi uma árvore antiga, linda, com o tronco largo. Dei um abraço nela e ela pareceu retribuir meu abraço. Continuei andando e passei por uma ponte em forma de arco que cruzava um lago. Li uma placa que dizia “Jardim da Criatividade” e logo na frente vi uma casa.
A casa era linda, retangular, bem comprida e com dois andares. Era uma casa antiga, parecida com aquelas da época do café. Era branca e as janelas compridas eram de madeira. Entrei e subi uma escada que tinha degraus largos de madeira bem envernizada. Do lado direito tinha um corrimão grosso de madeira trabalhada e do lado esquerdo uma parede com fotos penduradas em porta retratos. As fotos eram em preto e branco, de pessoas, mas não reparei em suas feições, só me lembro que usavam roupas antigas. Continuei subindo até que cheguei em uma sala muito iluminada. A iluminação vinha do sol. Ela tinha paredes de vidro. Na minha frente tinha um telescópio preto. Virei de frente para a sala. Ela era coberta com um tapete branco daqueles bem fofinhos de pelinho. Do lado esquerdo tinha uma estante cheia de livros de capa dura que ia até o teto. Tinham também algumas almofadas no chão. Do lado direito tinham duas poltronas. Sentei-me na poltrona da direita. Ela era azul clara, muito aconchegante e gravado em dourado no encosto lia-se “Carolina”. A vista era linda, eu podia ver meu jardim e o reflexo de minha casa no lago. O jardim visto de cima era muito maior do que a pequena parte que eu conhecia.
Eis que surge ao meu lado meu sábio interior. Antes dele chegar eu havia imaginado que ele seria algo parecido com um mago, de barba longa branca e óculos, com um olhar misterioso. Contudo, quando ele chegou, para minha surpresa, era meu avô Ivo. Ele estava com uma calça bege e uma blusa de lã marrom. Seus fartos cabelos brancos disciplinadamente penteados para trás como de costume. Ele me olhou com seus olhos felizes e eu tive vontade de abraçá-lo. Muita vontade. Mas não abracei. Ele me disse apenas “esperança” e se foi. Desejei que ele ficasse mais tempo, mas era tarde. Eu estava sozinha de novo. Levantei, olhei a vista novamente e desci pela escada de madeira.
Passei pela ponte em forma de arco e fui para meu jardim. Andei pela pequena parte do jardim que eu conhecia. Senti novamente o cheiro das flores. Passei pela minha árvore preferida e cheguei no portão. Valmir abriu o portão para mim e eu segui pela trilha. Abaixei para passar pelo cipó e andei no chão molhado, ouvindo os pássaros e vendo algumas borboletas que pareciam me acompanhar pelo caminho. Saí para a clareira e não consegui pensar em nada. Apenas em meu sábio interior. Esperança. Porque esperança? Acho que preciso muito mais de algo como iniciativa, força de vontade ou determinação para encontrar meu caminho. Mas mesmo assim ele me disse apenas esperança. Fiquei na clareira pensando na esperança e desejando voltar para meu jardim e para minha casa.
B.
29/06/2008
Procuram-se Sonhos
Desde domingo, todas as noites antes de dormir eu fico pensando nessa frase e desejando muito que isso realmente aconteça. Apago a luz do quarto, me deito e repito isso mentalmente. Repito varias vezes seguidas, como se fosse um mantra. De repente, tudo fica preto.
Preto.
Preto.
Mais preto.
Alguns pretos depois, eu acordo.
Cadê meus sonhos? Cadê? Alguém viu um sonho perdido por ai? Se alguém encontrar, por favor, me avise. Estou sedenta por sonhos. Quero sonhos!
Acho que os mesmos seres que roubam nosso tempo e fazem com que o dia, o mês e o ano passem cada vez mais rápido resolveram levar meus sonhos também.
Por favor, me devolvam!
B.
25/06/2008
(Re)Começo
O mesmo bosque. As mesmas árvores. O mesmo parque. A mesma lousa. A mesma escada que leva a uma espécie de passarela que não leva a lugar nenhum, apenas ao mesmo pátio. As mesmas 3 pessoas. A mesma vontade. Outros tempos.
Com uma respiração maluca e um jardim que vira floresta. Com uma bússola, um avo, uma mãe e uma cadeira. Com São Paulo e com a Amazônia. Com um senhor muito simpático que parece uma espécie de guardião da bolotinha de Mata Atlântica que restou dentro do mar de concreto de Campinas.
Foi assim que tudo (re)começou.
B.
08/06/2008
O Encontro
Quando cheguei na clareira percebi que as árvores a sua volta formavam um círculo perfeito. Nessa clareira não tinha muita grama, mas sim terra e galhos caídos no chão. Parei na entrada e em minha frente vi outra trilha. Poucos segundos após minha chegada ouvi barulhos vindos da trilha que estava na minha frente. Eis que surge uma figura muito alta e um pouco grotesca. Com o corpo escuro, os olhos meio puxados e orelhas caídas parecia um fauno. Era meu crítico interior. Perguntei a ele porque ele era tão grande, maior do que eu, e ele me disse apenas; “porque você permitiu”. Disse a ele que ele deveria tirar umas férias.
Uma semana. Uma semana bastava para que eu vivesse minha vida sem aquele monstro dentro de mim. Eu estava ansiosa para saber como seriam as coisas sem a presença dele. Combinamos que no próximo domingo nos encontraríamos no mesmo local e ele se virou e foi embora pela mesma trilha da qual viera.
Virei-me e voltei pela trilha da qual eu havia vindo. Tive que pular novamente o tronco de árvore caído e continuei andando. Saí por onde eu havia entrado e vi aquele gramado imenso novamente. Sentei-me no chão, no meio do gramado e percebi que existiam muitas trilhas à minha volta. Imaginei para onde elas me levariam. Fiquei sentada com os olhos fechados, sentindo a brisa e imaginando quantos críticos interiores estariam perdidos nas montanhas que me cercavam.
B.
22/06/2008
Segunda - Feira
Travei. Não consigo pensar em nada, só que tenho que acordar cedo. Meus horários são meio malucos. Eu gosto de fazer as coisas a noite e de madrugada. A tarde também. Mas de manhã? Se liga.... Quem inventou essa rotina de acordar cedo pra trabalhar, estudar ou fazer qualquer coisa de manhã não conhecia meu metabolismo, nem o do meu pai.
Existe horário melhor pra produzir do que a madrugada? Existe hora melhor pra dormir do que a manhã?
Nossa, acho que a caixa d´agua de casa é em cima do meu quarto. Estou ouvindo ela encher. Não é um barulho muito agradável. Parece um vazamento. Dá vontade de fazer xixi.
O barulho da chuva sim seria bom para dormir. Ou o de um rio. Agora caixa d´agua que parece vazamento não dá! Por falar em dormir, tenho que ir para lençóis agora. Acabei de lembrar novamente que amanhã tenho que acordar cedo. Grande segundona!
B.
15/06/2008
Corre Corre
Meu cansaço físico sempre se reflete na minha voz. É incrível. Não abusei essa semana, mas mesmo assim fiquei completamente rouca. Hoje fui na fono. Fazer fono está sendo uma maravilha. Se tudo der certo meu pólipo não existirá mais em alguns meses. Isso me anima muito!
Não sei o que escrever....to sem assunto total....
Ah, lembrei de uma coisa interessante que vi na MTV. Uma propaganda. Não lembro exatamente o que o cara falou, mas sei que envolve Recife e desenvolvimento sustentável. Quando ouvi desenvolvimento sustentável fiquei de orelha em pé. Deu tempo de anotar o site, www.comunicacaoesustentabilidade.com, acho que era isso. Espero que seja. Tinha também um blog, mas não consigo me lembrar....AESEIC....algo do tipo.
Meu computador está bichadinho, tadinho. Quando ele voltar vou procurar o tal do blog pra ver se é interessante.
Agora tenho que ir. Passaram-se 9 minutos e se deixar eu fico aqui escrevendo até amanhã.
B.
12/06/2008
Primeiro Caminho
Seguindo pela trilha, cada vez mais as flores muito coloridas e belas me faziam esquecer de tudo e de todos os problemas. O jardim foi se tornando uma floresta. Quanto mais eu caminhava na trilha, mais árvores iam surgindo e suas sombras cobriam o sol.
Encontrei então no meio do caminho um baú marrom. O baú parecia muito velho e estava coberto pela terra. Tinha também algumas plantas ou fungos, não sei dizer ao certo o que era aquele negócio verde que o cobria. Fiquei muito curiosa para saber o que tinha dentro do baú, afinal coisas antigas me deixam muito curiosa. Mesmo com toda curiosidade, achei melhor deixar o baú onde ele estava.
Continuei a caminhar e encontrei uma cadeira no meio do jardim, embaixo de uma árvore. Sentei-me. A cadeira era muito confortável e o canto dos pássaros contribuía muito para deixar o lugar mais aconchegante. Sentei-me e ali fiquei.
B.
08/06/2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Um Sonho Ruim
Ele se repetiu por diversas noites.
Sempre começava no aniversário do Gustavo, colega do colégio, eu ia até a frente a casa dele e via na porta, que era de vidro, uma sombra do lado de fora; assustada me virava para dentro da casa e via em cima de uma escada, que lá havia, um homem vestido de preto e com um chapéu, ele tinha o rosto do Marlin Mason, mas não era do personagem que eu tinha medo mas daquele ar irônico(até hoje eu tento definir o que ele representava).
Eu abria a mesma porta de vidro e tentava correr para fora, para a rua, mas não conseguia correr rápido, procurava pessoas mas era noite e não havia ninguém, tentava gritar e minha voz não saía, e eu sentia que ele estava me perseguindo. Sempre quando estava quase chegando no fim da rua, ele aparecia na esquina e quando eu voltava para o outro lado, lá estava ele.
Nunca teve um fim, um desfexo, talvez por isso se repetiu por tantas noites.
Quando via o M.M. na TV não gostava, pois tinha medo, não dele mas de lembrar da sensação do sonho.
Hoje ao me lembrar de tudo, não senti o mesmo medo, só uma vontade enorme de dar um soco nele.
T.
22/06/08
O Encontro
Nesse momento olhei para o lada e vi em uma longa e fina folha uma formiguinha e achei uma graça, fiquei a observando até o momento que uma trilha logo a minha frente me chamou atenção. Segui por essa trilha, através das altas árvores e logo a minha frente havia uma tronco bem grande no caminhoe tive que sentar para conseguir pulá-lo, depois dele já avistei uma outra clareira, dessa vez não tão clara, e eu sabia que algo especial aconteceria naquele lugar.
Ao chegar nela, uma nuvem encobriu o sol sobre minha cabeça, e ao voltar o rosto da nuvem para a clareira, observei do lado oposto a entrada de outra trilha de onde vinha um ser com forma humana, pensei que talves pudesse ser minha mãe, ou até eu mesma, mas era de cor acinzentada e tinha um tom bravo e até mesmo ignorante; ele se aproximou do centro da clareira e não consegui enxergar seu rosto (talvez não fosse tão importante); esse ser era meu crítico interior, que tantas vezes influência em minhas atitudes e pensamentos. Não tenho certeza se em todas elas, essa influência é ruim (por isso meio receio diminuiu e não senti tanto medo) mas acredito que pelo menos na grande maioria das vezes sim.
Então, perguntei porque ele fazia isso, e ele respondeu que na sociedade há regras e que ele existe para que eu possa me adequar à elas e para que as pessoas me aceitem; então eu disse que gostaria de tentar passar uma experiência sem ele, ele ficou um pouco triste pois não fazia aquilo por mal, e eu disse que quando eu estivesse satisfeita e decidida eu voltaria aquele lugar e ele saberia.
Voltei pela trilha e cheguei novamente a primeira clareira, havia um amontoado de grama, que se parecia até com uma rede, e ali eu fiquei.
T.
22/06/08
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Primeira Página
Andando, encontrei um objeto no chão de formato bem quadrado e de cor marrom, o identifiquei como uma bússula que talvez mostrasse o caminho que eu deveria seguir porém decidi deixá-lo lá e prosseguir sem pensar em nada...mais a frente avistei uma clareira redonda em meio a mata e tinha uma pessoa parada, parecia que já me aguardava, quando me dei conta de quem era quase chorei de saudade, "porcopipa" era meu avô, então o abracei e brincamos como sempre fazíamos. Depois, antes de ir embora ele me disse: "A vida não é só isso".
Me senti tão bem, e voltei para o jardim onde encontrei minha cadeira, meu lugar e fiquei ali...assim...bem!
T.
Bosque dos Italianos
07/06/08
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Primeiros Rabiscos
Domingo, final da tarde, Bosque dos Italianos. O antigo recém formado grupo, compania, ou seja lá qual for a denominação que as pessoas queiram dar a esses seres humanos (?) que resolveram se (re)unir depois de alguns anos de intervalo, para espalhar um pouco dessa loucuarte que eles têm de sobra.
"Então é isso galera. Vamos escrever um Diário de Bordo. Cada um escreve o seu, coloca lá seu dia, escreva a respeito do retorno do grupo, do bosque, etc."
Hein??? Diário de Bordo??? Tá maluco Niltão? Não sou escritora não! Tá certo que há uns 4 anos atrás eu escrevi uma ceninha, não sei como, mas hj tá td enferrujado...
"Galera, escrevam o que vier na cabeça, escrevam!"
Puts Niltão, acho que não vai rolar... Não tenho o dom pra ser escritora. Até rabisco em uma agenda um pouco do meu dia-a-dia, mas nada muito profundo. Apenas relatos, sem essa história de impressões e sentimentos. Nem as emoções da minha cabeça eu consigo decifrar, seria impossível defini-las e coloca-las no papel!
"Vai lá galera. Vamos tentar. Não precisa mostrar pra ninguém, basta escrever o Diário".
O que? Não precisa mostrar pra ninguém? Agora sim to começando a gostar da idéia...
Antes de ir pra casa fiquei sabendo do que tinha acontecido com a Paulinha. Fiquei muito triste com td que ela e o Deco estão passando. Fui pra casa, ainda um pouco abismada. Sentei um pouco sozinha pra tentar digerir a história toda.
Muitos minutos depois, um pouco mais conformada, resolvi começar o meu "Para Casa".
Peguei um caderninho velho que utilizei algumas vezes pra colocar alguns pensamentos vagos e uma caneta BIC, cuja carga estava quase no fim. Eu sempre quis acabar com a carga de uma BIC. Quem nunca quis acabar com a carga de uma BIC ou usar até o fim uma borracha daquelas brancas que têm a capinha verde?
Empolgada com a possibilidade de deixar vazia a pobre caneta, abri o caderno e começei..."Diário de bordo"...
"Diário de Bordo".
Um título, bom começo.
Mas e depois?
Lembrei-me que o único diário de bordo que eu havia lido fo um que meus amigos da facul escreveram no carnaval em Votuporanga. Não mto criativo, com mtos ditados populares e piadinhas do tipo "eu como maça, Marília Pera", "eu tomo chá gelado, Clark Kent". Apesar da repetição, devo confessar que dei boas risadas! Muitas páginas com "acontecimento, desenrolo, conclusão". Com certeza o efeito de certos "líquidos embelezantes", como diriam eles, contribuiu para a formação daquele diário.
Sem mais divagações, voltei ao meu "Diário de Bordo". Quando fui me concentrar e pensar no que escrever lembrei do Niltão. Ele dizia: "escreva sem pensar, escreva sem parar, assim vc não dará chances ao seu crítico interior".
Hum....escrever sem pensar e sem parar...Vamos lá...
Minha caneta BIC estava quase tocando a folha do meu caderno.
"Trimmmm", "trimmmmm".
Meu celular.
"Alô, Rá?". "Alô?".
Era meu primo Raoni. Não ouvi nada do que ele disse, então resolvi ligar na casa dele. Minha madrinha atendeu e me disse que o Rá estava no camping ainda. Então vieram as palavras que ainda hj ecoam em minha cabeça...
"Carol, o Patrick sofreu um acidente"...
Pausa.
Aquela pausa que dispensa que o final da frase seja dito...
"Carol, o Patrick sofreu um acidente...e ele morreu".
O que? Morreu? Como assim morreu? Acabou? É isso? Acidente? Acidente do que? De carro?
Puta que pariu, caralho, filho da puta, vai tomar no cú, desgraçado!
Desculpa mãe. Eu também acho horrível mulher que fala palavrão, mas minha indignação e tristeza se exteriorizaram assim.
Liguei pro meu primo, ele e o Patrick eram amigos de faculdade. Domingo passado mesmo, no dia das mães, eu estava vendo as fotos de formatura do Rá e quando vi uma foto dele com o Patrick comentamos como ele era uma pessoa boa. Ele era mto agradável. Aquele tipo de gente que logo que vc conhece vc se sente a vontade e parece que são amigos há anos, sabe?
MORTE...esse tipo de coisa me revolta. Com tanta gente ruim no mundo, a morte escolhe as pessoas boas? De boa essa tal de morte não tem nada!
A indignação que senti hj foi bem parecida com a que senti alguns anos atrás em uma apresentação no Boldrini. Ao ver aquelas crianças inocentes, com uma vida toda pela frente, definhar em virtude do câncer, me revoltei. Meu coração deu um nó. Um nó que nem o pranto desatou. Um nó misto. Tristeza, revolta e mtas dúvidas. Sim, muitas d´puvidas.
Pq essas crianças?
Pq leucemia?
Pq metástase?
Pq o Patrick?
Pq a Paulinha?
Muitas pessoas dizem que o mundo está perdido. Que as pessoas mudaram seus valores. Que o bolso é mais importante que o coração. Que o "eu" é mais valioso que o "nós".
Será que essa loucura humana contagiou Deus? Será que os valores Dele tb estão inertidos?
Com todas essas questões, com todos os meus pensamentos inacabados, não tive condições de começar o meu "Diário de Bordo", nem de pensar no teatro, na música ou no bosque.
Apenas após 4 dias de noites mal dormidas, trabalhos inacabados e um pouco de introspecção foi que consegui começar o meu "Para Casa".
O primeiro dia de diário foi rabiscado em um chalé no meio do mato. Confesso que o ar puro da montanha, o cheiro da natureza e o canto doa pássaros me inspiraram a princípio.
Contudo, mesmo diante de toda essa beleza, a única coisa que consegui foi colocar alguns acontecimentos e pensamentos. Tudo muito desorganizado.
Um título e quatro páginas de total desorganização...já é um começo...
Ah, consegui também acabar de vez com a minha BIC!
Naturez, um título, quatro páginas de pensamentos desorganizados, e uma carga de BIC esvaziada.
Eu diria que é um bom começo para uma iniciante.
B.
22/05/2008
Diário de Bordo 1
Vou começar pelo começo da semana até porque não consegui escrever nos dois últimos dias como havia previsto, estou passando por um momento difícil em relação aos meus estudos, não sei se talvez por causa do tempo que fiquei sem estudar, mas não consigo resolver os exercícios e isso me desanima de continuar....tenho medo de não atingir meus objetivos...já na terça madruguei e ralei pra valerno plantão...horas de pé, dor nas pernas e nas costas,no final do dia não tive fôlego pra ir à aula...fui pra casa e capotei....hoje, quarta, tomei uma agulhada na gengiva logo cedo, meu, mais que a dor, foi a puta aflição daquela agulha vindo na direção da minha boca, e depois aquele barulinho de mini-serra elétrica cortando minha gengiva...fora o arrombo no bolso...
agora, escrevendo o início do meu diário, aguardo meu pai pra irmos fazer revisão no meu carro, nossa, ao mesmo tempo que tenho um conforto absurdo são muitos gastos, e às vezes até penso em voltar a andar de busão, ainda mais agora sem emprego fixo, foda ter que ter esse gastos, é como se fosse uma família...e por enquanto não sei o q escrever...ah, tem uma pomba na minha janela, confesso que tenho um pouco de nojo de pombas, mas a principio é o único contato que tenho com a natureza nesse momento e isso é bom, pombas me lembram a Angel...no fundo ouço o barulho da tv ligada na sala e do portão abrindo, deve ser meu pai...até os próximos “dez minutos”...
T.